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sexta-feira, 4 de abril de 2025

Cocaína, antibióticos e sedativos são encontrados na Lagoa da Conceição, em Florianópolis

Segundo pesquisadora que coordenou estudo, a concentração está entre as mais altas no mundo. Local é um dos principais pontos turísticos de Floripa, usado para banho, passeio e pescaria. Estudo encontrou concentração de cocaína entre as mais altas do mundo.

Uma pesquisa detectou a contaminação por cocaína na Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Além disso foram detectadas ainda substâncias como anti-inflamatórios, antibióticos, antidepressivos, sedativos e cafeína no local. A pesquisa foi divulgada na quinta-feira (13) pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O estudo, liderado pela professora Silvani Verruck, encontrou 35 “contaminantes emergentes” no total. “Temos algumas substâncias, os antibióticos, que acabam sendo bastante resistentes. É algo que nos chama a atenção porque muito provavelmente, em algumas concentrações, eles vão afetar a flora  e a fauna local, os peixes, siris, etc.”, explicou.

Os produtos são de uso diário e podem estar em cosméticos e itens de higiene pessoal, por exemplo. Eles são liberados pelos humanos na urina e fezes, e chegam até a água, possivelmente, pelo esgoto e descarte dos dejetos direto na água.

As consequências das substâncias para a fauna e flora locais, que ainda precisam ser melhor estudadas, estão sendo analisadas pelo grupo de pesquisadores de Santa Catarina. O resultado da pesquisa, porém, levanta a preocupação e alerta para necessidade de mais monitoramento.

A Lagoa da Conceição é uma laguna localizada na região leste da cidade e é um dos principais pontos turísticos da capital. O local foi palco de um desastre ambiental em 2021, quando uma lagoa artificial da Casan rompeu e inundou casas, além da lagoa.

Além da água, os 11 pesquisadores analisaram amostras de sedimentos e de peixes. Os contaminantes foram encontrados em diferentes quantidades, e particularmente evidentes perto da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do bairro, conforme Silvani, que também é professora do departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da universidade.

As substâncias da cocaína foram observadas em 63% das amostras analisadas. Conforme o estudo, isso sugere uma presença significativa e consistente no ambiente. “A detecção da benzoilecgonina foi particularmente relevante, uma vez que é considerada um marcador para o uso e descarte de cocaína”, informou a UFSC.

Como contaminantes chegaram na lagoa?

Apesar do estudo não focar nesta pergunta, a pesquisadora explica que uma possibilidade é por meio do esgoto não tratado, o descarte ilegal direto na água, ou até mesmo embarcações.

Segundo a prefeitura, os resultados da pesquisa “refletem os impactos das atividades humanas sobre o meio ambiente”. Já a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan), apontou que o resultado da pesquisa ocorre por causa do “crescimento populacional e o descarte inadequado de esgoto”

Cocaína, antibióticos e sedativos são encontrados na Lagoa da Conceição, em Florianópolis
Lagoa da Conceição, em Florianópolis, está contaminada com cocaína: dados ‘surpreendentes, mas esperados’ — Foto: Reprodução

Consumo de animais é seguro?

O estudo não apontou risco. “Então, quanto a isso, o monitoramento contínuo seria o mais importante para seguir avaliando a segurança. Por ora, quanto aos contaminantes avaliados, o consumo humano é seguro”, disse a pesquisadora.

Riscos

Conforme a pesquisa, os compostos como o diclofenaco e a cafeína apresentaram altos riscos tanto para exposições agudas quanto crônicas, podendo afetar algas, crustáceos e peixes. Esses resultados indicam que a presença desses contaminantes compromete a saúde e a biodiversidade do ecossistema aquático local.

“Muito provavelmente, e a gente mostra isso na nossa pesquisa também, e dependendo do medicamento e da concentração, eles vão sim afetar a flora local, e a fauna. Então os peixes, os siris, são afetados por esses resíduos. Olhando para a concentração, estão em concentração baixa, mas sendo continuamente presentes. Então, eles estão sendo expostos continuamente a esses resíduos e essa exposição continua e crônica pode levar a algum malefício”, explicou a professora.

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